quinta, 11 janeiro 2018 00:08

O que é o doping mecânico? Destaque

Escrito por Andre T.Piva - Redbull
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E-bikes ou bicicletas "dopadas"? Saiba mais sobre a tendência que assombra o pelotão profissional

Doping mecânico, electrónico, tecnológico… chame como quiser, o facto é que um novo mal assombra o ciclismo profissional. Aliás, o ciclismo sofre há tempos com o problema de doping, mais especificamente o fisiológico dos atletas, como transfusão de sangue, cortisona, EPO, entre o uso de tantas outras substâncias proibidas pela UCI (União Ciclística Internacional) e WADA (agência mundial anti-doping).

Vale lembrar que um dos maiores escândalos aconteceu com o famoso ciclista Lance Armstrong com o seu ciclo de mentiras, enganando os adversários desde 2005, ganhando dopado sete vezes o Tour de France, títulos retirados posteriormente, confessando somente depois de muita investigação e provas. Numa entrevista Lance Armstrong deu mais detalhes de como funcionava todo o esquema, abertamente.

O facto é que depois de muitas suspeitas em competições oficiais e grandes nomes envolvidos, como Fabian Cancellara, Vincenzo Nibali, Alberto Contador, Ryder Hesjedal e até Chris Froome, mas nunca confirmados, mas durante a disputa do Campeonato Mundial de Cyclocross 2016, disputado em Zolder (Bélgica) deu-se um caso.

UCI confirmou oficialmente o primeiro caso de doping mecânico,no qual a ciclista belga Femke Van den Driessche, de 19 anos, atleta da categoria sub-23, considerada uma das favoritas, mesmo abandonando a competição, teve sua bicicleta inspeccionada pelas fiscais da UCI que encontraram fios ao retirar o canote, que supostamente ligavam um motor fixado no movimento central, mas eles não conseguiram dar o flagrante, pois o pedivela, uma peça que sustenta as coroas que pode ser facilmente extraído, estava totalmente fixo e não foi possível ser retirado na hora. Posteriormente a UCI confirmou o caso, através de uma nota, que pode ser lida na íntegra aquiA punição pelo uso do doping electrónico foide 6 meses de suspensão da ciclista, mais o pagamento entre 20 a 200 mil francos suíços .

Motores elétricos existem

Bicicletas impulsionadas com motores eléctricos são uma realidade no mercado há algum tempo, aliás, são equipamentos que estão evoluindo rapidamente, caindo no gosto dos utilizadores, principalmente, dos ciclistas urbanos, aqueles que adoptaram a bicicleta como meio de transporte e favorecem-se do “empurrãozinho” do motor para minimizar o esforço da mobilidade urbana.

No entanto, sabemos que tudo que chega ao consumidor final, antes é exaustivamente testado por profissionais do sector, no caso, ciclistas profissionais. As suspeitas do uso de “bicicletas dopadas” nas competições vem desde 2010, quando Fabian Cancellara deu uma arrancada fenomenal para vencer a tradicional Paris-Roubaix. Na época, o assunto era tratado como piada, já que os sistemas eram desconhecidos, considerados pesados e pouco eficientes para o uso no pelotão.

Qualquer tipo de “engano” é proibida, naturalmente, e aos poucos os inspectores da UCI começaram a vistoriar suspeitas.

O facto é que essa indústria desenvolveu-se e hoje é possível encontrar algumas opções e modelos de sistemas com motor eléctrico, seja no cubo da roda ou totalmente oculto (na região do movimento centra), como por exemplo, o oferecido pela marca Vivax Assist ou também chamado de Gruber Assist.

Como funcionam

A marca alemã Vivax mostra como é o funcionamento neste video, entre outras referências disponíveis no youtube.

No caso, a marca Vivax dispõe de um equipamento de motor eléctrico oferecendo até 200 watts de potência, num kit que pesa 1,8 quilos para ser fixado no tubo do selim do quadro da bicicleta. A bateria e o motor em forma cilíndrico fica totalmente dentro do tubo do selim, trabalhando com um sistema de engrenagens cónicas de plástico (para evitar barulho), ligado directamente ao movimento central, logo exercendo força nos pedais.

Um dos ciclistas que está cooperando com as investigações da UCI sobre doping mecânico é o astro ingles Chris Boardman, ex-ciclista profissional de Estrada e pista, medalhista de ouro nos Jogos de Barcelona 92, que hoje é empresário com sua própria marca de bicicletas.

De acordo com o jornal Telegaph, Chris sugeriu a UCI um alerta de que muitas equipes podem estar se beneficiando da energia gerada pelas baterias dos sistemas de transmissão electrónica – como Shimano Di2 – para ganharam potência também na pedalada.

Você pode conseguir um kilowatt de potência numa única bateria tipo pilha AAA diz Chris Boardman

“Sentei numa reunião com a UCI no ano passado e expliquei como exactamente como tudo isso funciona. Mostrei algumas tecnologias que oferecem esse acréscimo de potência, que já estão disponíveis, na maioria, para equipes de Formula 1, que você pode conseguir um kilowatt de potência numa única bateria tipo pilha AAA,” disse Boardman ao diário britânico.

Não podemos esquecer que sistemas com transmissões electrónicas são legais actualmente, portanto já existe uma fonte de potência em muitas bicicletas

“Não podemos esquecer que sistemas com transmissões electrônicas são legais actualmente, portanto já existe uma fonte de potência em muitas bicicletas. Depois que alertei sobre esses factos, tenho que afirmar que a sala ficou em silêncio,” acrescentou Boardman. “Não seria tão complicado adaptar essa fonte de energia para de dar 200 watts de potência a mais por cerca de 20 minutos, o que basicamente te dá 40 por cento mais potência nos pedais no contrarrelógio, por exemplo,” afirma Boardman que venceu três vezes a etapa de contrarrelógio do Tour de France e foi recordista da hora.

Dificuldade em detectar

De volta ao campeonato mundial de ciclocross onde foi confirmado o primeiro caso de doping mecânico, fontes indicam que inspectores da UCI usaram uma espécie de “raio-x”, scanners e um tablet para fazer os primeiros testes, antes de detectarem algo errado e desmontarem a bicicleta.

A verdade é que essa é uma corrida de gato e rato. O “doping” sempre está um passo a frente dos controladores, com isso, mesmo com todo histórico negro do doping no ciclismo, é sabido que muitos atletas utilizam recursos proibidos, enquanto autoridades literalmente “correm atrás”, seja com a criação do passaporte biológico ou outros meios.

No caso do doping mecânico, o alerta foi dado e cada vez mais os equipamentos também serão “testados” antes e depois das competições.

“Não existe dúvida de que a tecnologia existe e pode ser usada para trapacear. Com botões controlando electronicamente as marchas das bicicletas, tudo isso seria muito simples de acontecer,” conclui Boardman, infelizmente afectando o desporto negativamente.

Doping eletromagnético na roda traseira

O jornal italiano Gazzetta dello Sport trouxe um alerta para um novo tipo de doping electrônico, uma tecnologia existente para de electromagnética, que já pode estar sendo usada ilegalmente nos dias de hoje por alguns ciclistas sujos.

Escondido na roda traseira e muito mais sofisticado, o artigo do jornalista Claudio Ghisalberti do diário de páginas rosas alega que é uma tecnologia para poucos e pode chegar a custar até 200 mil euros .

De acordo com a reportagem italiana, em que entrevistou um “guru da indústria” que preferiu ficar anómimo, o sistema electromagnético é instalado ocultamente na parede do aro da roda traseira, de preferência de perfil alto em fibra de carbono para ser colocado remendado sem levantar suspeitas.

Os sensores no perfil do aro da roda traseira oferecem de 20 a 60 watts de potência e podem ser accionados via controle remoto"Guru" Anónimo

Com isso, os sensores na roda oferecem de 20 a 60 watts de potência e funcionam dispondo à roda uma maior tracção assistida quando o ciclista acciona um dispositivo, gerando alguns watts a mais na pedalada. O diferencial é que o sistema pode ser accionado, por exemplo, via controle remoto ou monitor cardíaco.

Sugeri a inserção dos dados dos watts nos passaportes biológicos dos atletas para aumentar o controle e disparidades de rendimentos.

O tal guru diz que este é um grande mercado negro e já foram comercializados mais de 1.200 equipamentos como esse. Ele revelou que está fornecendo informações para a UCI e chegou a sugerir a inserção dos dados dos watts nos passaportes biológicos dos atletas para aumentar o controle e disparidades de rendimentos.

Este foi apenas mais uma história da polémica do uso do doping no desporto que infelizmente está longe de acabar…

Ler 58 vezes Modificado em quinta, 11 janeiro 2018 00:46

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