domingo, 06 agosto 2017 20:47

Gatlin estraga a despedida de Bolt Destaque

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Norte-americano sagrou-se campeão mundial dos 100 metros. Jamaicano foi 3.º e perdeu primeira grande prova desde 2011

Assim que soou o tiro de partida, Usain Bolt partiu algo atrasado em relação à concorrência. Nada de novo. Afinal, o ponto fraco do jamaicano sempre foi a primeira fase da corrida, e nem isso impedira os títulos, os recordes e a invencibilidade que lhe marcaram os dez anos de carreira. No entanto, à medida que o sprint foi decorrendo, Lightning Bolt não se mostrou capaz de recuperar o atraso e acabou por ficar afastado da vitória e até do segundo lugar na última final de 100 metros da carreira.

Os 9,95 segundos com que completou os 100 metros ontem à noite, no Estádio Olímpico de Londres, constituíram a melhor marca da temporada para o multicampeão, mas revelaram-se insuficientes para garantir o quarto título mundial da carreira. Christian Coleman já tinha provocado um sorriso amarelo a Bolt nas meias-finais, quando o relegou para o 2.º lugar das eliminatórias, e na final voltou a ficar à frente do jamaicano, com 9,94 segundos, ainda que quem tenha brilhado mais alto tenha sido o também norte-americano Justin Gatlin, que saiu da sombra para chocar o mundo e alcançar o ouro, com 9,92 segundos.

O público londrino, que na véspera se tinha mostrado tão ruidoso para apoiar o britânico Mo Farah nos 10 mil metros e vaiar o próprio Gatlin durante as eliminatórias - em jeito de reprovação pelos escândalos de doping em que esteve envolvido -, ficou boquiaberto. E o nova-iorquino fez questão de os mandar calar através de um gesto exibido diretamente para as câmaras, antes de se dirigir a Bolt com uma vénia.

Contudo, o campeão olímpico e recordista mundial, a correr os 100 metros pela última vez na carreira nestes Mundiais, não revelou mau perder. Abraçou o rival e devolveu o carinho aos 66 mil espectadores que encheram o recinto e tanto gritaram pelo seu nome, fazendo as poses habituais e passeando pelo estádio com as bandeiras da Jamaica e do Reino Unido.

"Isto é real?", pergunta Gatlin

Recém-coroado campeão mundial, 12 anos depois, a ficha ainda não tinha caído em Justin Gatlin. "Isto é real? É verdade que o consegui? Fi-lo por mim, pela minha família, pelo meu treinador e pelo meu país", afirmou aos jornalistas o velocista de 35 anos, acabado de se tornar o campeão mundial mais velho da história - bateu a marca do britânico Linford Christie (33 anos em 1993). "Não penso que me tornei o campeão mundial mais velho de sempre, mas sim em desfrutar do momento e em competir com o máximo de esforço. A partir de agora irei encarar a competição ano a ano. Veremos como evoluo", esclareceu o sprinter, justificando a vénia a Bolt: "Sobre Bolt só posso ter palavras de elogio: é uma lenda, seguramente o melhor da história da velocidade."

Já sobre as vaias, garante que as relativizou. "Ouvi-as durante as eliminatórias mas foquei-me na corrida. Fiz o que tinha que fazer. As pessoas que me amam estão a apoiar-me aqui e em casa", atirou, em declarações reproduzidas pela BBC, aproveitando para voltar a elogiar o jamaicano. "Era a última corrida de Bolt, uma ocasião extraordinária. Somos rivais na pista mas na área de aquecimento brincamos, dizemos piadas e passamos bons tempos. A primeira coisa que ele fez foi congratular-me e dizer-me que eu não merecia as vaias. Agradeci-lhe por me inspirar durante a minha carreira, é um homem fantástico", aditou, radiante.

"A saída matou-me", lamenta Bolt

No dia em que saltou do trono, Usain Bolt reconheceu que o arranque atrapalhou o seu desempenho na prova. "A saída matou-me. Normalmente melhoro com o passar das eliminatórias mas isso não chegou. E o facto de não ter uma boa saída explica a derrota. Devia ter feito uma transição. Não consegui fazer essa transição e apertei no final, algo que não se deve fazer", explicou o jamaicano à BBC, após não ter conseguido alcançar a 12.ª medalha de ouro em mundiais. "Foi lindo, sabia que o público me apoiaria", expressou o recordista mundial, 9,58 segundos estabelecidos nos Mundiais de Berlim, em 2009. "Não estava totalmente confortável naqueles blocos mas temos de trabalhar com o que temos. Não vou desculpar-me com isso. O Gatlin é um grande atleta e tens de estar no teu melhor para lhe fazer frente. Eu não estava. Gostei de competir contra ele, e ele é uma boa pessoa", afirmou o 3.º classificado do sprint, que vai agora tentar despedir-se da carreira com a medalha de ouro na estafeta 4x100 metros.

Foi a primeira vez que Usain Bolt falhou o ouro em seis anos. Em 2011, uma falsa partida tirou-o da discussão pelo título mundial dos 100 metros. A última derrota individual, em Mundiais ou Jogos, remontava a 2007, nos Mundiais de Osaka, na prova de 200 metros

Ler 560 vezes Modificado em terça, 08 agosto 2017 21:13

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