domingo, 31 dezembro 2017 13:20

Em dia histórico, bicampeão Mundial e lendas da maratona aquática do Brasil completam Volta a Nado do Arquipélago de Alcatrazes Destaque

Escrito por Lance
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Foram cerca de três horas e meia dentro d´água em um dia histórico nesta quarta-feira, 27, na 1ª Volta à Nado do Arquipélago de Alcatrazes, situado a 40 km da costa de São Sebastião (SP). Seis dos grandes nomes da história da maratona aquática deram a volta no conjunto de ilhas que é considerado um dos maiores em biodiversidade do Brasil e que será reaberto ao público em 2018 para o ecoturismo após mais de três décadas de posse da Marinha que realizava exercícios de tiro no local.



Ao todo foram 7,5 km de percurso para dar a volta em todo o arquipélago, menos que a previsão anterior que seria o dobro. Os nadadores passaram por um briefing liderado pelo ICMBio, Instituto Chico Mendes de Biodiversidades, junto com a Marinha, chegaram com o barco de apoio à Alcatraes em torno das 6h30 e pularam na água em torno das 8h . Eles enfrentaram metade da travessia com boas condições e outras duas partes mais desafiadoras com ondas e correnteza sempre acompanhados de caiaques de apoio.

Todos os participantes completaram o percurso e se deslumbraram com a riqueza da fauna do local que é equiparado à Fernando de Noronha e Abrolhos.



Igor de Souza, supervisor técnico da Seleção Brasileira de Maratonas Aquáticas, campeã mundial em Barcelona em 2013, e Bicampeão do Circuito Mundial de Maratona Aquática em 1996 e 1998 destacou: "Foi bacana inicio um pouco mexido, mas a prova foi relativamente rápida, tivemos sorte com maré sul que fez com que o mar ficasse da cor azul turmalino então deu pra ver bastante a fauna que é muito farta, foi uma ótima experiencia, nos divertimos bastante, todos os nadadores gostaram", apontou Igor que é um dos três brasileiros imortalizados no Hall da Fama da FINA, a Federação Internacional de Natação, junto com Maria Lenk e Abílio Couto. Ele é o único brasileiro a fazer ida e volta um dos maiores desafios de maratonas aquáticas que é a travessia do Canal da Mancha que liga Dover, na Inglaterra, até Calais, na França, e tem o recorde Pan-Americano do local que já dura 20 anos.

Trecho de Alcatrazes ganha o batismo de Garganta de Harry Finger - Outro grande nome que completou o Canal da Mancha e também se tornou o 15º homem na história a completar a maratona aquática com 202km nas águas de Nova York nadando por sete dias seguidos só parando para dormir foi Harry Finger. O brasileiro natural de Ilha Bela (SP) detalhou as espécies que viu enquanto nadava e as condições enfrentadas.

"Tivemos o briefing com o ICMBio e a Marinha assim que chegamos e após fizemos uma análise de maré e correnteza para definir a estratégia. O mais incrível é a água, a cor da água é impressionante, um azul marinho muito forte, muita água viva, de todos os tipos, vários tipos de peixes, como a fauna é muito rica e a biomassa é riquíssima tínhamos peixes muito grandes e cardumes bem diferentes. Cheguei a ver um cação pequeno, várias tartarugas pois lá é criadouro também. O nado começou difícil com ondas grandes, marola, mas conseguimos nadar legal pois a maré acabou ajudando e depois no término o mar encrespou novamente, mas terminamos praticamente juntos cada um acompanhado por um caiaque de apoio, foi tudo muito bem organizado, todos gostaram. É uma marca Alcatrazes para a gente divulgar e preservar", apontou Harry que teve seu nome eternizado em um ponto da travessia com bastante correnteza explicado por Ricardo Augusto, empresário, organizador e idealizador da Volta à Nado e que nada maratonas aquáticas desde 2009.

"Tem uma passagem uma espécie de Garganta com uns cinco, seis metros de largura com uma corrente muito forte e todos os atletas ficaram nadando por um período um pouco mais forte que o normal. Eu estava como penúltimo quando vi meu amigo Harry Finger se aproximando para me passar, então como passamos juntos o homenageei com esse nome. Ele e eu precisamos de um bom esforço para passar essa gargante ou fenda, foi muito legal", apontou Ricardo que é o único brasileiro a ter nadado os 40 km da praia de Camburi até Alcatrazes em 15h30min até o limite onde era permitido do local de refúgio.

"Quando dávamos a volta na ilha maior do arquipélago, passamos por uma fenda, garganta, paramos para ver a estratégia para que não fossémos jogados para as pedras, não descobrimos o nome científico e adequado para aquela passagem," descreveu Harry que é o mais experiente da Volta com 60 anos de idade.

Marta Mitsui Izo, paulista e que detém recorde da travessia do Canal da Mancha no revezamento 4x4 em 2011 com mais três brasileiras e que também nadou a travessia em Nova York por quase 200km este ano, ficou encantada: "Foi demais! Temperatura maravilhosa, água com uma cor que nunca vi igual, vida marinha abundante", descreveu a experiente nadadora.

Balanço positivo da Volta à Nado de Alcatrazes - Ricardo Augusto, empresário morador de São Sebastião (SP) há 20 anos e organizador da Volta à Nado em Alcatrazes, comemorou o resultado da travessia: "Foi fantástico, tivemos janela de sol com pouco vento. Todos os atletas completaram a missão. A água estava em um azul muito escuro e transparente, temperatura muito agradável, cardumes de raias amarelas, foi fantástico. O ICMBio e Marinha foram mito elegantes em todo o trajeto, nos orientaram sobre o que deveria e não deveria ser feito. Muitos nadadores do Brasil vão ver os vídeos e vão querer visitar e nadar em Alcatrazes e vão ajudar a preservar algo que nós atletas e também turistas faremos. Há um tempo atrás Alcatrazes era saqueados por pescadores clandestinos e graças a esta abertura ao ecoturismo nós também seremos vigilantes de Alcatrazes.

"Minha intenção como empresário da região e nadador é trazer o turismo sustentável para a região, movimentar o comércio local através de eventos desse porte. Estou muito feliz com o resultado desse dia. Esse é o primeiro evento de nado de vários que vão acontecer no futuro tanto de natação como também de outros esportes náuticos. Agradecemos ao ICMBio e a Prefeitura de São Sebastião pelo apoio".

Ricardo começou com maratonas aquáticas após um naufrágio de seu barco nas ilhas Fiji quando surfava por um mês na região. Nadou por quatro horas atrás de socorro e tomou gostopelo esporte participando de provas como o 14 Bis, a maior da modalidade no país.

O evento contou também com as presenças de Gilberto Bucholtz, que foi atleta de polo aquático pelo Hebraica, em São Paulo, com participações em diversos campeonatos paulistas, é acostumado à provas de longas distâncias em várias modalidades, com destaque para o ciclismo tendo cruzado também os Estados Unidos de costa a costa. Na maratona aquática realizou em agosto deste ano a travessia do estreito de Gibraltar que liga a Europa à África, sendo o único brasileiro a nadar tal trajeto. Além dele o nadador de Mogi das Cruzes, Marcelo Salavee e Jaques Abraham completaram o percurso.

A 1ª Volta à Nado de Alcatrazes foi o segundo evento esportivo realizado no local. Ela teve a parceria do ICMBio, Instituto Chico Mendes de Biodiversidades, que forneceu a autorização aos atletas bem como ofereceu um curso aos nadadores sobre a preservação e detalhes sobre o local. Hoje o local é a segunda unidade de proteção marinha mais importante do Brasil, oficialmente chamado de Refúgio da Vida Silvestre Arquipélago dos Alcatrazes. O Governo Federal lançou em setembro uma portaria autorizando para a reabertura da ilha ao ecoturismo em 2018. O local estava fechado desde o início da década de 80 para exercícios de tiro da Marinha.

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